Gosto de infância

Outro dia fui almoçar na casa da minha mãe. O cardápio era dos mais simples que se possa imaginar, mas foi uma das melhores refeições da minha vida. O motivo: tudo tinha gosto de infância. Cada garfada me remetia a uma lembrança, a todos aqueles momentos felizes que passei com minha família.

Queria realmente poder comer mais uma vez o pé-de-moleque que meu irmão fazia. Era uma festa sentar no chão da cozinha e comer aquela delícia ainda quente na colher.

Os miúdos de frango da mamãe com angu, feijão fresquinho, arroz e salada de agrião. Nossa…

Meus preferidos:

– bolo de chuva

– bolo de fubá com coco

– bala de leite feita sobre o mármore da pia

– angu com miúdos de frango e salada de agrião

– o mais fantástico e incrível feijão do mundo (o da minha mãe, a Dona Teca)

– cuzcuz de milharina com manteiga e café no lanche da tarde

– picolé de danoninho (eu enfiava todos os danoninhos no congelador com pálito de sorvete fincado)

– sacolé de coco

– pingo de leite

– quebra-queixo

– o pé-de-moleque feito pelo meu irmão

– queijo minas derretido no café da manhã da casa da minha vó

– sardinha frita

– leite com baunilha

Gravlax

Gravlax

Outro dia vim almoçar em casa e aproveitei para dar uma certa lagarteada na frente da TV antes de voltar para o batente. Acabei vendo um programa de culinária no qual dois surfistas ensinavam a fazer o Gravlax. Essa receita está nos meus melhores livros de receitas e vendo o preparo achei bastante interessante. Resolvi me aventurar.

Pelo que li sobre este prato, trata-se de uma receita típica dos países nórdicos. Os caras enterravam o salmão salgado e temperado para que ele curasse e pudesse ser conservado por mais tempo. Obviamente, não espero ninguém de pá na mão fazendo buracos no jardim para fazer este prato. Esta é uma adaptação muito boa para os tempos modernos.

Ingredientes:

1 manta de salmão médio (sem espinha e com a pele)

1 maço médio de aneto (também conhecido como endro ou dill)

1 xícara (chá) de sal grosso

1/2 xícara (chá) de açúcar mascavo

1/2 xícara (chá) de açúcar refinado

1 colher (sopa) de pimenta-do-reino branca

Modo de fazer:

Lave o peixe, seque-o com toalha de papel e coloque sobre filme plástico (que depois servirá para embrulhá-lo) com a pele virada para baixo.

Faça uma mistura com o sal, os açúcares e a pimenta e cubra o sal com estes ingredientes. Sobre a mistura, coloque o aneto picado.

Faça um embrulho bem apertado com o filme plástico, dando várias voltas sobre o salmão. Com uma faca, faça pequenos rasgos no plástico no lado da pele, por onde deverão escorrer os líquidos do salmão.

Forre uma travessa com bastante papel toalha e coloque o salmão com a pele virada para baixo. Coloque sobre ele um objeto bem pesado e leve à geladeira por pelo menos 24h. Eu fiz numa sexta à noite para o almoço de domingo.

Você precisa trocar o papel toalha de tempos em tempos porque ele fica enxarcado.

Antes de servir, tire o plástico e lave o salmão. Jogue por cima um molho feito com aneto fresco bem picadinho, limão e azeite. Corte fatias bem finas, na diagonal, e sirva acompanhado de um bom pão quentinho.

Uma delícia!

Bagels

Bagel by Dona Teteia

Cada vez mais venho me interessando por pratos exóticos. Tenho buscado receitas típicas de países ou regiões do mundo fora dos roteiros turísticos, o que é um grande desafio. As chances de errar são enormes. Tenho dado sorte. O resultado dos meus quitutes estão bem surpreendentes.

Neste fim de semana, despenquei para o Mercado São Pedro, em Niterói, onde comprei 500g de carne de siri* e um filé de 1,6kg de salmão fresco. O cardápio seria casquinhas de siri como entrada e sanduíche de bagels recheados com gravlax. Foi uma refeição bem leve, bastante aromática e deliciosa.

Para os bagels:

Ingredientes

500g de farinha branca

2 colheres de sopa de açúcar refinado

1 colher de chá de sal

1 1/4 colher de fermento seco instantâneo

300ml de água

1 gema para pincelar

sementes de gergelim ou papoula (usei coentro seco)

Modo de fazer

1 – Coloque a farinha, 1 colher de açúcar, o sal, o fermento em uma tigela e á misturando água morna.

2 – Sove bem a massa sobre uma superfície enfarinhada por cerca de 5 minutos ou até formar uma massa homogênea e macia. Volte com a massa para a vasilha e cubra com filme plástico besuntado com óleo, sem apertar. Deixe descansar em ambiente morno por uma hora ou até que dobre de volume.

3 – Coloque a massa novamente na superfície enfarinhada e corte em 10 pedaços. Faça bolinhas e depois buracos no centro com o dedo. Alargue o buraco rodando a massa no dedo como se fosse um bambolê. A propósito, milha filha amou a brincadeira. Coloque as roscas em uma forma enfarinhada e deixe crescer novamente por 30 minutos.

4 – Ao fim do segundo descanso, ferva água em uma caçarola com 1 colher de açúcar e vá cozinhando de três em três, por cerca de 2 minutos cada lado. Retire da água e deixe escorrer por alguns minutos.

5 – Pincele com a gema batida e pouvilhe as sementes. Leve ao forno préaquecido, em forma untada, por cerca de 12 a 15 minutos.

fique atento para a proporção de siri na carne. Tem que ser 1oo% siri para ficar bom. Aquela que é misturada com arraia é R$ 5 mais barata, mas não fica tão boa.

Cordeiro com ameixa e damasco

Devo ter sido árabe em outra encarnação. Tenho verdadeira paixão por tudo que vem dos países árabes, música, roupas, maquiagem, tecidos e gastronomia, claro. São sempre pratos com muita personalidade, sabores exóticos, mas muito leves. E os aromas… Adoro o perfume de canela e cominho que enche a casa.

Num fim de semana desses, lancei mão do meu Guia Boas Compras de Gatronomia, da Adriana Matttar, e busquei um lugar que vendesse cordeiro em Ipanema. Como era domingo, o Kikarnes perto da Vinícius era a melhor opção. Comprei um belo pernil de 1,5kg.

Fiz toda a ambientação para o almoço. Entrada (homus tahine em lata, pão fresquinho e sobremesas do restaurante Stambul, cachaça de anis), música marroquina, incenso de mirra… Meu povo amou.

Ingredientes:

1,5kg de pernil de cordeiro desossado e sem gordura

2 cebolas

3 dentes de alho

120g de amêndoas picadas

150g de damasco seco picado

150g de ameixas secas

150g de figos secos

4 paus de canela

1 colher de chá de canela em pó

1/2 colher de chá de cúrcuma

1/2 copo de azeite

açafrão

1/2 colher de chá de pimenta branca moída

1 colher de chá de sal

 

Modo de fazer:

Prepare uma infusão de 1 colher de chá de açafrão em pó e 1 litro de água. Misture a canela, a cúrcuma, a pimenta e o sal e esfregue na carne cortada em pedaços de aproximadamente 100g.

Coloque a carne para cozinhar em uma panela de barro, com a infusão de açafrão, a cebola, o azeite e alho. Os marroquinos usam o Taiyn, mas como não tenho, usei um panelão de barro que comprei na estrada, voltando da Região dos Lagos. Outra mudança que fiz na receita original: sou paranoica com colesterol. Por isso, deixo sempre para colocar o azeite no prato.

Após 30 minutos, retire 1 concha do caldo para hidratar as frutas secas e os paus de canela. Depois de outros 30 minutos, junte estes ingredientes já hidratados à carne e deixe cozinhar até que fique bem macia. Aproveitei parte do caldo para dar um gosto no cuscuz marroquino que fiz para acompanhar.

Retire a gordura com a ajuda de uma toalha de papel, ajuste o sal e salpique amêndoas picadas na hora de servir.

Rende 6 porções.

 

 

Le Cordon Bleu – Curso para turistas

Eu e meu marido estamos programando uma segunda lua de mel com uma viagem à França no início da primavera de 2010. Teremos 8 dias em Paris, tempo suficiente para fazer um curso rápido no Le Cordon Bleu. Descobri que há uma espécie de workshop de 2h para turistas, no qual um chef ensina um prato que depois é degustado pela turma. Custa 50 euros por pessoa, o que para uma refeição de primeira linha em Paris, com vinho, é bem razoável.

Infelizmente, embarco de volta para o Brasil exatamente no dia em que eles farão esse jantarzinho. Perdi a oportunidade, mas deixo a dica. Mais informações na página de programação do site da escola.